Capitulo 5 – Solidão

terça-feira, 2 de junho de 2020

22:42

Começamos refletindo sobre o medo como sendo fator proporcional para a solidão. Joanna se refere ao medo que embasa o ser humano e as suas relações sociais, o medo de não ser aceito, de não ser reconhecido, de não ser lembrado.

Esses medos que caminham com todos os homens modernos produzem comportamentos alienantes , viciantes e destituídos de valores eternos. Vemos uma sociedade inconstante e efêmera aonde os ídolos do hoje são os esquecidos de amanhã, porém todos querem possuir pelo menos alguns segundos de glória e reconhecimento.

E isso se expande para todos os campos do curso da vida humana. Vemos a exigência de um relacionamento humano como um mecanismo de afirmação pessoal, e aqueles que possuem dificuldades nos campos das emoções e do relacionamento se vêm obrigados pelo medo a excluírem-se de tais possibilidades temendo o fracasso.

Vivemos em uma sociedade competitiva que dispõe de pouco tempo para cordialidade desinteressada e acabamos por ignorar e segregar aqueles que não conseguem se manifestar no bolo social.

Não possuímos tempo para conversar, agregar, integrar ou compreender e acabamos levantando muros que separam todos aqueles que não se adaptam a essa maneira frenética e caótica de viver a vida.

E a solidão se instala. E quando não se instala de forma expressiva começa a ter a tonalidade do “medo da solidão”. Nesse ponto, Joanna faz a sua reflexão tão verdadeira dos diversos medos e receios que perturbam o homem atual. Aqui coloco uma pequena citação com alguns exemplos:

A conquista desse triunfo e a falta dele produzem solidão. O irreal, que esconde o caráter legítimo e as lídimas aspirações do ser, conduz à psiconeurose de autodestruição. A ausência do aplauso amargura, face ao conceito falso em torno do que se considera, habitualmente como triunfo. Há terrível ânsia para ser-­se amado, não para conquistar o amor e amar, porém para ser objeto de prazer, mascarado de afetividade. Dessa forma, no entanto, a pessoa se desama, não se torna amável nem amada realmente.(Página 21).

Nesta parte do capitulo Joanna de Angelis nos faz provocações que fomentam um turbilhão de reflexões e sentidos dentro de nós. Somos convidados a nos reconhecer muitas vezes como esse homem desintegrado e ainda alimentado por uma realidade irreal. Somos ainda produtos ou produtores de solidão, ou quando não nos encontramos em um desse dois, nós acabamos sendo consumidores da solidão alheia.

“O sucesso, decantado como forma de felicidade, é, talvez, um dos maiores responsáveis pela solidão profunda. Os campeões de bilheteria nos shows, nas rádios, televisões e cinemas, os astros invejados, os reis dos esportes, dos negócios cercam­-se de fanáticos e apaixonados, sem que se vejam livres da solidão. Suicídios espetaculares, quedas escabrosas nos porões dos vícios e dos tóxicos comprovam quanto eles são tristes e solitários. Eles sabem que o amor, com que os cercam, traz, apenas, apelos de promoção pessoal dos mesmos que os envolvem, e receiam os novos competidores que lhes ameaçam os tronos, impondo­ lhes terríveis ansiedades e inseguranças, que procuram esconder no álcool, nos estimulantes e nos derivativos que os mantêm sorridentes, quando gostariam de chorar, quão inatingidos, quanto se sentem fracos e humanos.” (Página 21).

E para concluirmos, Joanna nos lembra nosso amado mestre Cristo Jesus com o seu ensinamento do “amar ao próximo como a si mesmo”, conclamando o homem a amar-se, valorizar-se e conhecer-se de modo a plenificar-se com o que é e tem. Substituir o medo da solidão pela confiança nos próprios valores, mesmo que possuidores de pequenos conteúdos, porém bastantes significativos para quem os possui.

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